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Cristina Motta(not a XING member)O setor da construção civil está a todo o vapor e isso faz com que investidores da área tenham bons retornos sobre seus investimentos, esse aquecimento acaba também por favorecer áreas afins, como exemplo temos o caso da substituição do tijolo pela parede inteira, que acaba por ser uma forma de dar conta desse aquecimento, pois o processo de construção ganha maior automatização e com isso maior agilidade no término da obra.09 Feb 2010, 11:48 pmPOTENCIAIS DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS: Construção Civil a todo o Vapor
Esse, com certeza, é um mercado que se abre, pois até bem pouco tempo atrás esses avanços de modernização dos sistemas construtivos não tinham espaço aqui no Ceará, ao contrário de São Paulo, onde já ocorrem. E essa abertura de novos mercados não se refere apenas a fabricação dessas paredes, mas também a outras tecnologias que venham a surgir como forma de dar conta da demanda impulsionada pela construção civil.
A geração de novos mercados e, portanto, de novas oportunidades é corroborada pela marca Casas Olé - uma das pioneiras, no Ceará, em desenvolver paredes semi-industrializadas, desenvolvidas pelo empresário e construtor cearense André Montenegro, que vem apostando no crescimento dessa tendência. Em breve, será aberta mais uma fábrica no Estado, além da já existente em Aquiraz e da outra fixada em Brasília, no Distrito Federal.
Vale pontuar que o aquecimento desse mercado deve-se em boa parte ao acirramento da competitividade, investimento em obras públicas pelo governo estadual, pela facilidade na obtenção de crédito dos consumidores, financiamentos pela CEF, que tem previsão de superar os 50 bilhões, ultrapassando o recorde de financiamento do ano passado (2009) que foi de R$ 47,05 bilhões, segundo Jorge Hereda.
No ano passado, a concessão de crédito imobiliário pela Caixa cresceu 102% em relação a 2008. Segundo a Caixa, os R$ 47,05 bilhões representam 71% de todo o financiamento imobiliário do mercado. "A Caixa ocupou o espaço dos bancos privados quando eles recuaram", acrescentou Hereda.
E por fim, e especialmente, devido a execução do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
Em decorrência desse programa, o mercado vem recebendo um novo impulso e com isso várias tecnologias estão sendo implantadas, segundo o construtor Marcelo Cavalcante (vice-presidente da área de Materiais e Tecnologia de Construção do Sindicato da Construção Civil do Ceará - Sinduscon). Como já mencionado acima, é o caso da substituição do tijolo pela parede inteira.
Outro quesito que vale ser pontuado refere-se ainda ao programa Minha Casa, Minha Vida, que devido aos problemas de infraestrutura na Capital, se expande no Interior. O Minha Casa, Minha Vida atende mais famílias de baixa renda no Interior do que na Capital, devido às dificuldades de infraestrutura e falta de terrenos adequados para receber os projetos em Fortaleza.
Segundo o superintendente da Caixa em Fortaleza, Adalfran Carneiro, a dificuldade em se ter mais obras na Capital está principalmente na questão do esgotamento sanitário, uma exigência do banco para contratar projetos. "Grande parte da Cidade infelizmente não possui saneamento ou mesmo perspectivas para soluções futuras. Estamos esbarrando nestes critérios``, afirmou.
Carneiro disse ainda que no Interior é mais fácil encontrar soluções para o escoamento do esgoto, por possuir terrenos maiores e menos concentração imobiliária. Ele alerta para a especulação imobiliária. ``As áreas que detêm esgotamento sanitário na Capital estão supervalorizadas e os preços inviabilizam a contratação pela Caixa``, observou.
Algo que faz pensar. Pontuo esse problema que está ocorrendo no programa Minha Casa, Minha Vida, como forma de evidenciar a riqueza de possibilidades que há no interior do Estado do Ceará, e que muitas vezes é subaproveitada pelos investidores do setor.
Voltando ao aquecimento da construção civil, outro ponto que evidencia isso é o fato de novos projetos não pararem de chegar à região, como é o caso do empreendimento Cumbuco Golf Resort, do Grupo Vila Galé, sócio da Câmara Brasil-Portugal no Ceará (CBP-CE). Sua inauguração está marcada para 21 de agosto deste ano, em evento que finaliza o Rally dos Sertões. O funcionamento para os primeiros hóspedes começa em 5 de outubro, garante o presidente da rede Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida. De frente para o mar, o Cumbuco Golf Resort ocupa 480 hectares, incluindo campo de golfe com 9 buracos e condomínios com cerca de 1.300 apartamentos residenciais turísticos. O empreendimento está instalado a 41 km de Fortaleza. O investimento para a fase inicial do projeto é de R$ 110 milhões, montante que se refere apenas ao Hotel Vila Galé Cumbuco, resort cinco estrelas que ocupa uma área de 100 mil m², além de Clube Náutico, com 200 m², centro de convenções para eventos de grande porte e um SPA.
Outro empreendimento com inauguração prevista para este ano é o Aquiraz Riviera, que será o maior empreendimento de padrão internacional do Ceará, com valor total estimado em US$ 350 milhões. Localizado na praia de Marambaia, em Aquiraz, a cerca de 25 km de Fortaleza, o complexo tem uma área total de 285 hectares e está divido em Área Residencial, Área Hoteleira e Área de Proteção Ambiental com de 58 hectares de fauna e flora locais, além de 1.800 metros de frente para o mar.
O Hotel Dom Pedro Laguna, empreendimento hoteleiro do complexo Aquiraz Riviera, será o primeiro com inauguração prevista para setembro de 2010. Com 38 chalés de um e dois quartos (seis deles com piscinas) e 64 apartamentos, o hotel criará junto à praia um ambiente lacustre com lagos artificiais. O empreendimento também terá dois restaurantes (principal e na piscina) e dois bares, com room service 24 horas.
O Aquiraz Riviera contará também com o primeiro campo de golfe do estado, que será um dos maiores do Nordeste com 80 hectares, 18 buracos par 72, ocupando 7.322 jardas, dos quais quatro já estão em funcionamento e outros cinco estarão em funcionamento ainda em abril deste ano.
Outro projeto que pode vir a acontecer no Ceará é do Grupo Enotel. A rede hoteleira portuguesa aproveitou a visita do governador Cid Gomes às obras do Cumbuco Golf Resort, para anunciar a intenção de investir R$ 210 milhões em outro resort naquela região. Segundo o presidente do grupo Enotel, Estevão Neves, a decisão depende de infraestrutura pronta para receber o empreendimento, como energia, saneamento, água, acesso, além de condições para o desenvolvimento de serviços no entorno, como taxistas, comércio, etc.
A rede Enotel atua na Ilha da Madeira, em Portugal e está em expansão no Brasil, com a construção de um segundo hotel em Porto de Galinhas, ampliando a oferta dos atuais 348 apartamentos com mais 700 unidades em 2013. O Ceará receberia um resort com 500 apartamentos, com inauguração em 2014. Já o Cumbuco Golf Resort pertence à rede portuguesa Vila Galé. As obras deste empreendimento estão em estágio avançado.
Na opinião da classe empregadora, o setor vive um momento de aquecimento, porém, é preciso haver cautela entre todos os atores da construção civil para se evitar situações de desentendimentos, aumento do desemprego, greves e até (provável) inversão de crescimento no volume esperado de obras para o ano. "Temos que ter prudência para não revivermos alguns momentos ruins das décadas de 1990 e 2000. Estamos saindo de uma crise gravíssima e as pessoas precisam se convencer de que não se pode realizar tais rendimentos a curto prazo, e sim em um período longo", disse Roberto Sérgio, que revelou ser de até 28% o custo correspondente só com a folha de pagamento dos funcionários.
Para o representante do Sinduscon/CE, um problema sério encontrado no mercado, é a falta de especialização da mão-de-obra. "Está faltando engenheiro civil (com experiência), carpinteiro, bombeiro hidráulico, eletricista de automação (com alto nível de sofisticação) e, especialmente, marceneiro - um profissional quase em extinção", ratificou Roberto Sérgio.
No caso desses profissionais a dificuldade também se faz ver no mercado de decoração e design de interiores. Vejo aqui uma boa oportunidade de negócios. Uma empresa que fornece mão-de-obra qualificada, bem treinada e com bons preços, abocanha não só o mercado da construção civil, mas também das reformas, levadas a frente por profissionais, como decoradores, arquitetos e designer de interiores, onde sempre há reclamação da falta de mão-de-obra qualificada.
Enfim, o panorama citado acima, em boa parte explica o sentimento dos empresários da construção civil, que segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em conjunto com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), iniciaram este ano de 2010 com o otimismo em alta.
Visto tudo isso, com certeza oportunidades de investimentos e negócios na área da construção civil, seja com foco no setor comercial, residencial ou hoteleiro e áreas afins não faltam, como no caso citado de novas tecnologias relacionadas aos processos de construção, como a parede inteira, ou mesmo serviços voltados para qualificação de mão-de-obra ou empresas com profissionais qualificados que visem atender a demanda gerada não só pela construção civil, mas também por seus desdobramentos, como é o caso dos projetos de interiores, lojas voltadas para móveis projetados, adornos etc.
Enfim, dentro desse cenário, boas oportunidades de investimentos e negócios existem, claro, feito com bom senso, estudo e planejamento. Pois mesmo em época de fartura de oportunidades a cautela deve ser uma aliada constante.
Por: Cristina Motta
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